sábado, dezembro 15, 2012

HISTÓRIA: O que as "vítimas" do comunismo tinham na cabeça e em seus corpos

Tatuagens antissemíticas, anti-islâmicas, russófobas e de outras formas de racismo, fascismo e anticomunismo eram uma constante nos campos de trabalho penais da União Soviética. Este artigo é um ótimo remédio para aqueles que acreditam no "coitadismo" dos prisioneiros do GULAG, que chamam de "vítimas" a fascistas, estupradores, ladrões e vândalos.  


Por Cristiano Alves


É muito comum encontrar textos de autores ultrarreacionários e mesmo de autores ditos de esquerda sobre a "malvadeza e perversidade do stalinismo e do comunismo", assim, um dos melhores retratos dessa "malvadeza e crueldade" é o GULAG, ou "gulags", como a direita gosta de dizer, ignorando que não passa de uma abreviação. Autores de direita falam sobre como essas "vítimas do comunismo"(ou do stalinismo) sofreram no GULAG e sobre como isso seria a prova definitiva do caráter "cruel e desumano" do comunismo. Muitas vezes toma-se o todo pela parte, criando-se argumentos pobres e casuísticos, ignorando o contexto mencionado. Assim, a mesma direita que acha que o "auxílio reclusão é mesada para bandido" endeusa ladrões do dinheiro público, assassinos comuns, estupradores e até mesmo fascistas encarcerados no sistema prisional da antiga União Soviética.

Esse artigo, que repudia com veemência as ideias fascistas e neofascistas, hoje covardemente camufladas sob a tarja de "conservadores", traz uma série de tatuagens que comprovam o caráter neonazista, reacionário e facínora daqueles que a burguesia retrata entusiasticamente como "mártires do comunismo":


- ЖИРСПК

Essas letras significam "Os judeus transformaram a Rússia em seus porquinhos-da-Guiné". Essa abreviação, claramente anticomunista e racista, traz a foto de Karl Marx inserida numa estrela-de-Davi, símbolo do judaísmo, embora Marx não estivesse em comunhão com o judaísmo. O antissemitismo foi fortemente incitado nos últimos anos do Império Russo, sob a liderança do tzar Nikolay II. Uma das mais nefastas manifestações dessa ideologia se deu através dos "Manuscritos dos sábios do Sião", documento falsificado pela polícia secreta que apresentava uma suposta "conspiração judaica para dominar o mundo", documento plagiado de uma obra de literatura e outras fontes.


- Na suástica: "Esmague os vermelhos, judeus e putas". Abaixo "Não há nada no mundo mais absurdo do que as leis e a autoridade do governo marxista-comunista"



Essa mensagem até parece ter sido feita recentemente por anticomunistas modernos, por conservadores ou fascistas contemporâneos.


- "A Rússia é violentada e humilhada pelos judeus"


Tatuagem anticomunista e racista, o demônio dela tem uma faixa do PCUS, no braço, estuprando uma jovem russa amarrada na cruz, que fora sobreposta com a foice e o martelo e uma estrela de Davi, símbolo judeu.

Após anos de opressão do império dos cazares, turcos convertidos ao judaísmo, os judeus tornaram-se um alvo fácil do ódio na Rússia, estimulados por diferentes tzares e retratado na obra "Taras Bulba", de Nikolay Gógol, onde são frequentemente usados como bode expiatório, por não compartilhar do mesmo sentimento nacional dos russos, envolvendo-se frequentemente em atividades comerciais e enriquecendo em tempos de guerra, em detrimento da morte de russos étnicos. Sendo em muitos casos avessos ao alcoolismo e bem sucedidos profissionalmente, eles são invejados pelo lúmpen-proletariado russo.


- "Nós russos fizemos de vocês, macacos amarelos, homens, e se não fosse por nós vocês não teriam descido das árvores e nem deixado de se pendurar nelas com a cauda."


Nesta tatuagem criminal russa pode ser encontrada não apenas uma apologia da pederastia, como também uma manifestação extremada de racismo contra asiáticos. As roupas usadas pelos pederastas da foto, bem como a longa barba, sugere que se trata de um preso "crente antigo".


- "O ápice do poder na URSS-Rússia foi em 1945, então seguiu-se um rápido declínio"


O dono desta tatuagem era um estoniano condenado sob a égide do Decreto do Presidium do Soviete Supremo de 4 de junho de 1947, por furto de material de depósito militar em quadrilha, efetuado em 1949, sentenciado a 20 anos de prisão. A mãe do condenado era uma emigrada "russa branca", e seu avô foi forçado a lutar no Exército Branco de Yudenich. Seu pai estoniano lutou na SS estoniana, sendo morto em 1943.

A tatuagem traz um capacete da Waffen SS, uma suástica, duas cruzes romanas e folhas de carvalho.


- "Mate, esmague e torture os macacos de cara amarela"



Tatuagem racista contra asiáticos, trazendo não apenas uma adaga com um símbolo monarquista, como traz ao fundo a cruz ortodoxa com apenas 6 extremidades, ao contrário da tradicional cruz ortodoxa de 8 extremidades, indicando que o carregador da tatuagem possivelmente era do oeste da Ucrânia.

Como já dizia um vencedor do Prêmio Nobel de Física, "com ou sem religião, as pessoas bem-intencionadas farão o bem e as pessoas mal-intencionadas farão o mal; mas, para que as pessoas mal-intencionadas façam o mal, é preciso religião".


- ИОТЯ


O acrônimo ИОТЯ significa "Se você for infiel, cortarei seus "ovos""


- "O suíno russo agressivo e eternamente faminto pede ajuda ao ocidente"


Tatuagem racista do tipo russófobo, de um preso cujos pais foram exilados na República Socialista Soviética Autônoma de Komi, parte da RSFS Russa. Seus dois tios maternos foram fuzilados em Daugavpils, na Letônia, por trabalhar para os alemães em uma oficina de conserto de material militar. Daugavpils foi uma das primeiras cidades a testemunhar a execução sumária de judeus durante a Operação Barbarrossa, tendo praticamente toda a sua população judaica dizimada.


- "Firma Rainha do Supersexo social""


Tatuagem encontrada em uma prostituta. A prostituição era uma atividade ilegal na União Soviética, sendo praticamente inexistente nesse período e experimentado uma enorme explosão após o fim da URSS.


- "Só a morte me corrige"


Tatuagem que demonstra a clara tendência nazista do preso do GULAG, condenado ao campo de trabalho de Solikamsk, em 1952, sob o Decreto do Soviete Supremo, parte VI, artigo 72.


- "O grande Genghis Khan"


Tatuagem usada por um ex-detento chamado Dordzhan, asiático e especialista em artes marciais que espancou seis "crentes antigos" na República Socialista Soviética Autônoma da Buriátia, em fins dos anos 50, junto ao seu colega Makushkin, autor da tatuagem, feita numa casa de banho nos anos 70. Segundo a versão de Dordzhan, os seis crentes antigos teriam-no chamado de "macaco que acabou de perder a cauda". Dordzhan e Makushkin foram condenados a 5 anos de trabalho corretivo em regime aberto por hooliganismo e enviados para uma mina.

Os "crentes antigos" são uma seita cristã ortodoxa que não aceita a reforma religiosa do Patriarca Nikon, de 1652, que introduziu o novo sinal da cruz feito com 3 dedos(os velhos crentes usam apenas 2 esticados), o número de pães usados na liturgia divina, e o russo como língua litúrgica(os velhos crentes usam exclusivamente o eslavônico na tradução de textos gregos). Os velhos crentes não permitem a filmagem de missas e consideram a retirada da barba um sério pecado(na ortodoxia tradicional russa, normalmente o uso da barba é restrito aos sacerdotes, podendo ser retirada por requisição da esposa, no clero secular).

A suástica parece indicar um sinal de apologia ao nazismo, dado o sentido em que está desenhada.


- "Mate e esmague os pretos da Ásia"


Apesar da simpática e aparentemente inocente corujinha, esta tatuagem contém uma mensagem extremamente racista dirigida aos asiáticos da Ásia Central, que por causa do tom mais escuro de sua pele e cabelos predominantemente escuros são referidos como "pretos".

A cruz na parte inferior da foto sugere que o carregador da tatuagem era bielorrusso.


- As abreviaturas significam "Nós acabaremos com a Rússia, destruiremos: a ciência, a produção, a agricultura comunitária, o Exército, o KGB, o MVD, a medicina, a arte e a literatura".



Tatuagem sionista. Assim como os supremacistas russos pregavam o fim dos judeus, os judeus fascistas pregavam o fim de todos os russos.

- "Pela Rússia sem judeus, "bundaspretas" e "caras amarelas"" A anarquia é mãe da ordem.



Tatuagem feita no hospital do MVD, nos anos 60, em um prisioneiro condenado pelo Artigo 102 do Código Penal da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, isto é, adulteração e falsificação de remédios. A parte inferior diz "Art. 102. CPRSFSR". "Bundapreta" e "cara amarela" são termos racistas respectivamente usados contra habitantes do Cáucaso e asiáticos.


- "Moscolóides! Retirem-se da Ucrânia"



"Moscolóide"(originalmente, moskal) é um termo discriminativo usado contra russos, geralmente por ucranianos. A tatuagem mostra um cossaco de bigode com um fuzil e sua shashka(sabe estilo facão), típico do sul da Ucrânia. De 1961.


- "Mate e expulse os judeus da Rússia Santa" (Ivan, o tempestuoso)


Com uma citação atribuída a Ivan IV, o tempestuoso(termo erroneamente traduzido como "o terrível"), essa tatuagem antijudaica traz um "vityaz", um cavaleiro defensor Rússia antiga, equiparável ao paladino francês.


- "Isso acontecerá a cada puta do partido"


Tatuagem nazista e anticomunista.


- EUA: Inteligência, riqueza, força!


Tatuagem pertencente a um prisioneiro ex-marinheiro que esteve nos Estados Unidos.


- "Bandeira do comunismo"(na foice), "Glória ao PCUS"(na faixa)


Tatuagem satírica, pertencente a um soldado do Exército Vermelho que abandonara seu posto e retornara para casa(no Brasil é considerado crime de deserção), condenado a 2 anos de Batalhão Disciplinar. Os Batalhões Disciplinares eram unidades do Exército Vermelho aos quais eram atribuídas as mais difíceis e arriscadas ações na guerra tais como a limpeza de campos minados e outras tarefas que impunham ao soldado comum um sério risco de vida.


- "Saudações do Campo de Vorkutá" 1946-1963 Uma causa de trabalho e dedicação à honra e glória da URSS"


Tatuagem de uma "vítima do comunismo" que passou mais de 26 anos em Campos de Trabalho Corretivos. Segundo as inscrições abaixo da tatuagem, passou pelos campos de Shelyaboj, Ijmá, Kojbá, Yelyetskiy e Halmer do Sul, o que sugere que se tratava de um criminoso inveterado, possivelmente responsável por mortes em campos de trabalho.


- "Gangue de vadias do Komsomol de Moscou"


Tatuagem usada por um preso condenado por hooliganismo que, bêbado, atacou uma patrulha feminina do Komsomol(Juventude Comunista) de Moscou. Na tatuagem Lenin é retratado como um demônio, e a terceira bandeira sugere a aspiração de seu dono a se tornar um "chefe dos presos".


- "Riga-Norilsk. Russos! Vivam! Mas deixem que nós não-russos vivamos também!"


Esta simpática tatuagem foi usada por Else Shaltis, prisioneira de 23 anos, enviada a um campo de trabalho do extremo-norte do país com sua família. Tatuagens do extremo-norte frequentemente trazem ursos polares, esquimós ou uma temática glacial.



VEJA TAMBÉM

- O mito do GULAG e seu comparativo com tiranias capitalistas

3 comentários:

Unknown disse...

"Após anos de opressão do império dos cazares, turcos convertidos ao judaísmo,"
Há um erro ai Cristiano. O Império Khazar (essa é a grafia certa) na verdade não era anti-semita. Ao contrário, se converteu (ao menos suas castas dirigentes) ao judaísmo em meados do século VIII. Conversão esta que foi uma manobra política para se manter neutro entre o Califado Islâmico de Bagdá e o Império Bizantino cristão ortodoxo. Acredita-se inclusive que parte dos judeus ashkenazitas descendem dos khazares, depois que seu Império desmoronou. E pelo que já li a respeito desse povo, os khazares teriam se originado dos akatzires, um povo do norte do Cáucaso (região essa que foi o berço do poderio khazar) que nos séculos IV e V era um vassalo dos hunos, tendo até fornecido efetivos para as campanhas militares de Átila. Por volta de 618, os khazares ascenderam como o grande poder nas estepes do sul da Rússia, tendo no século seguinte barrado a expansão islâmica ao norte do Cáucaso. Seu centro de poder era a cidade de Itil no baixo Volga, próximo da atual Astrakhan e da antiga cidade de Sarai Batu, a primeira capital da Horda Dourada. Em seu apogeu o Império Khazar dominava grande parte do norte do Cáucaso, Transcaucásia, Criméia, Ucrânia, estepes do sul da Rússia e noroeste do Cazaquistão, chegando até a promover incursões contra os muçulmanos no noroeste do Irã.
Ainda os khazares foram o primeiro povo das estepes com quem os russos tiveram atritos, ainda na época da Rússia Kievana. Sviastolav I de Kiev chegou até a destruir a capital khazar em 965. No entanto, não chegou a estabelecer um domínio permanente sobre a área. Só com Ivã IV o Terrível, já na década de 1550, que os russos viriam para ficar no Volga. O poderio khazar nas estepes foi sucedido no início do século XI pelos cumanos. Há um livro que trata desse povo em especial, "a 13ª tribo", de Arthur Kostler, que inclusive foi traduzido para o português em 2005.

A Página Vermelha disse...

@Unknown

Não há nenhum erro aí, os cazares são um povo de origem turca convertido ao judaísmo, a sentença deixa isso bem claro.

Em nenhum momento aleguei que eles eram "antissemitas". O que aleguei no trecho, é que por terem sido opressores por muitos anos, eles passaram a ser oprimidos por isso após sua derrota.

Julian de Paula disse...

unknown não sabe interpretar texto...